Saturday, November 18, 2006

Libertem-me

Hoje vou escrever.
Vou escrever em imagens escuras e deturpadas
As mesmas imagens com que me escrevem e não compreendo.
Posso escrever por exemplo:
“a partilha de espaços de beijos e abraços, risos e sensações desenfreadas acreditadas pelos corpos quentes transpirados sob um manto de paixão”.
Nesta frase ofereço a noite.
Tento alcançar a luz escura de outro pensamento, mas acabo por me perder.
O que faz com que alguém ofereça palavras de maldade amorosa?
Porque se prende alguém que não se quer?
Desejava que pudesses ser o meu corpo, …
Um corpo autorizado a ler a miserável e estranha atitude de dar amor.
Os humanos por vezes não sabem ler.
Mas talvez pudessem aprender, …
Talvez pudessem compreender os seus erros… e eu os meus.
Não me quero entregar à memória de alguém,
Não quero palavras escritas ao acaso,
Não quero aceitar este desejo que me fere,
Não…, não se não existir uma única imagem que me admire…
Que valorize o que sinto…
Este texto está a ser lido?
Estou a sentir a ambição competente, a sede egoísta por conquista …
Estou a sentir que nada é sentido..., que nunca nada foi querido.
Sinto-me perdida no escuro.
Quando será abandonada a noite?
Quando irá ser a luz acesa?
Hoje vou escrever como se fosses uma ilusão
Aquela ilusão que são todas as palavras e imagens escuras em que me deixo prender,
Aquela ilusão que se transforma em palavra que quer morrer no que escrevo.
E se é a minha escrita que a alimenta, só me resta esperar que termine a tinta da minha caneta…

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