Navio naufragado

Nos minutos perdidos da noite invades sem permissão os meus pensamentos com centenas de imagens familiares.
Aos poucos e poucos a tua reprodução torna-se completa e consigo definir de novo todos os traços, todos os sinais do teu rosto.
Consigo sentir de novo o calor, o cheiro, e todos os contornos do teu corpo como se desfolhasse um álbum fotográfico de sentidos.
Percorro-te como se fosse marinheira de alto mar conhecedora de todas as marés.
Mas o mar já não ruge como outrora, já não se agita de forma alvoraçada...
As ondas perderam o turbilhão...
O mar hoje está calmo, demasiadamente calmo, quase sem vida... não se agita
Sou agora navio naufragado...
Navio sem rumo....
Perdida na fraca ondulação revivo todos os momentos de prazer que ficaram gravados no hortizonte das nossas memórias.
Ainda tenho o sabor salgado dos teus beijos na minha boca.
O doce sopro das tuas palavras já não não move a nossa embarcação.
O toque mágico do teu abraço já não embala o nosso amor.
A âncora foi lançada e só será de novo içada quando voltares nas ondas do mar e me devolveres o mapa do meu coração.
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